31 out
Segundo dados do último censo do IBGE, realizado em 2000, no Brasil há 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, destas uma boa parte são cadeirantes. Para essas pessoas as atividades cotidianos como ir ao mercado, andar na rua é uma verdadeira saga. Dentro de casa não é diferente.
Um cadeirante necessita de adaptações no interior das edificações que diminuam significativamente os impactos de suas limitações.
Para auxiliar no projeto a ABNT possui a norma 9050 chamada Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos que visa “proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos.”
São diversas adaptações que fazem toda a diferença. Primeiro a funcionalidade, depois a estética.
A imagem abaixo é de um projeto que estou fazendo na faculdade junto com minha amiga Ellen Inserilo para matéria de design de móveis e acessórios. O projeto consiste na elaboração de uma kitnet acessível para cadeirantes focando principalmente na cozinha.
Entre as adaptações realizadas posso citar o rebaixamento da bancada da cozinha e da mesa de apoio para 75cm, criação de um vão embaixo da bancada para que o cadeirante possa manusear os objetos, cantos arredondados para diminuir o risco de acidentes, espaço de circulação adequados, barra de apoio na porta do banheiro e armários altos com acionamento via controle remoto (não aparece na foto).

Um dos lados mais gratificantes do design de interiores é saber que podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas. E criar o projeto focando no cliente é o melhor caminho para conseguir isso.
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5 Comentários sobre "Interiores acessíveis para cadeirantes"
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Acrescentando ao seu comentário um fator que entristece é ver que a maioria das edificações atuais não respeita estas normas e, muitas vezes, inviabiliza a livre circulação de cadeirantes desde a porta de entrada, com portas e corredores estreitos, que impedem que o cadeirante simplesmente dê uma volta inteira após abrir uma porta para alguém entrar (segundo a norma citada, é necessário um diâmetro de 1m50 para realizar esta manobra). Outra coisa são os banheiros atuais. Só é possível, em sua maioria, que um cadeirante use se forem derrubadas paredes, diminuídos quartos, etc… Prá não falar das “cozinhas-corredores”, impratícáveis para cadeirantes.
Parabéns pela matéria… Se fala muito pouco sobre este assunto, super importante!
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Fernando, aproveitando, em cima da hora, recebi informação sobre :este evento abaixo, do Portal DesignBrasil. org. br:
Design Universal - Acessibilidade, práticas e produtos
Publicado: 16 de Outubro de 2008.
O Senac Santa Cecília, em São Paulo, promove no dia 3 de novembro o evento Design Universal - Acessibilidade, práticas e produtos. A programação conta com várias palestras no auditório da unidade, das 14 às 18h30, e uma mostra de painéis fotográficos sobre o tema.
A proposta é aprofundar a discussão sobre a questão da acessibilidade, destacando a importância de incorporar boas práticas nesse sentido às novas propostas e analisando projetos já existentes. O encontro é direcionado a profissionais de arquitetura e design. As inscrições podem ser feitas por R$ 70,00.
Informações
Senac Santa Cecília
Al. Barros, 910 - Santa Cecília
São Paulo - SP
E-mail: santacecilia@sp.senac.br
Tel.: (11) 2178-0200
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Demorou!
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Oww, adorei o seu post, vc falou sobre um aspecto muito importante e que nem sempre é levado em consideração quando um projeto é criado, e falou muito bem. E suas últimas palavras foram muito sábias, concordo absolutamente com vc. ;P
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Oi Fernando, tudo bom?
Bom saber que você está projetando para cadeirantes, mas posso te dizer sinceramente? A NBR 9050 deixa a desejar, e muito. Bom, para início de conversa meu marido é cadeirante e já estivemos em mais de um hotel onde “a norma foi respeitada” e ele simplesmente não podia entrar no banheiro…
A questão é que NENHUMA cadeira de rodas passa numa porta de 60 centímetros de vão (algumas não passam nem com 70 cm), e este é o tamanho “padrão” de portas de banheiro para nossos construtores. Em um hotel que fomos, existiam todas as barras de apoio possíveis no banheiro, mas ele não entrava no ambiente! Seria cômico se não fosse trágico…
No mesmo banheiro, era impossível acessar o porta-toalhas, o armário (não sei para que servem se o que está acima de 150 não dá pra acessar), e se enxegar no espelho. Não dava para escovar os dentes comodamente pois havia uma bancada com pia (com armários embaixo, que igualmente não servem para nada para um viajante), nem mesmo sair da cama para outro ambiente, já que entre a cama e o armário (ou a parede da janela), mal dava para passar com a cadeira. Era um quarto “adaptado”, viu?
Enfim, o recado é: não confie na norma. Nenhuma deficiência é igual a outra, existem deficientes e deficientes. Este tipo de projeto deve ser desenvolvido muito, mas muito mesmo “sob medida”.
Um beijo!
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