Fernando Rigotti

Interiores acessíveis para cadeirantes

Publicado em 31 de October de 2008

Segundo dados do último censo do IBGE, realizado em 2000, no Brasil há 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, destas uma boa parte são cadeirantes. Para essas pessoas as atividades cotidianos como ir ao mercado, andar na rua é uma verdadeira saga. Dentro de casa não é diferente.

Um cadeirante necessita de adaptações no interior das edificações que diminuam significativamente os impactos de suas limitações.

Para auxiliar no projeto a ABNT possui a norma 9050 chamada Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos que visa “proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos.”

São diversas adaptações que fazem toda a diferença. Primeiro a funcionalidade, depois a estética.

A imagem abaixo é de um projeto que estou fazendo na faculdade junto com minha amiga Ellen Inserilo para matéria de design de móveis e acessórios. O projeto consiste na elaboração de uma kitnet acessível para cadeirantes focando principalmente na cozinha.

Entre as adaptações realizadas posso citar o rebaixamento da bancada da cozinha e da mesa de apoio para 75cm, criação de um vão embaixo da bancada para que o cadeirante possa manusear os objetos, cantos arredondados para diminuir o risco de acidentes, espaço de circulação adequados, barra de apoio na porta do banheiro e armários altos com acionamento via controle remoto (não aparece na foto).

Um dos lados mais gratificantes do design de interiores é saber que podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas. E criar o projeto focando no cliente é o melhor caminho para conseguir isso.

Salvo em: Outros

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12 Comments

  1. Rosana Silva says:

    Acrescentando ao seu comentário um fator que entristece é ver que a maioria das edificações atuais não respeita estas normas e, muitas vezes, inviabiliza a livre circulação de cadeirantes desde a porta de entrada, com portas e corredores estreitos, que impedem que o cadeirante simplesmente dê uma volta inteira após abrir uma porta para alguém entrar (segundo a norma citada, é necessário um diâmetro de 1m50 para realizar esta manobra). Outra coisa são os banheiros atuais. Só é possível, em sua maioria, que um cadeirante use se forem derrubadas paredes, diminuídos quartos, etc… Prá não falar das “cozinhas-corredores”, impratícáveis para cadeirantes.
    Parabéns pela matéria… Se fala muito pouco sobre este assunto, super importante!

  2. Rosana Silva says:

    Fernando, aproveitando, em cima da hora, recebi informação sobre :este evento abaixo, do Portal DesignBrasil. org. br:

    Design Universal – Acessibilidade, práticas e produtos
    Publicado: 16 de Outubro de 2008.

    O Senac Santa Cecília, em São Paulo, promove no dia 3 de novembro o evento Design Universal – Acessibilidade, práticas e produtos. A programação conta com várias palestras no auditório da unidade, das 14 às 18h30, e uma mostra de painéis fotográficos sobre o tema.

    A proposta é aprofundar a discussão sobre a questão da acessibilidade, destacando a importância de incorporar boas práticas nesse sentido às novas propostas e analisando projetos já existentes. O encontro é direcionado a profissionais de arquitetura e design. As inscrições podem ser feitas por R$ 70,00.

    Informações

    Senac Santa Cecília
    Al. Barros, 910 – Santa Cecília
    São Paulo – SP
    E-mail: santacecilia@sp.senac.br
    Tel.: (11) 2178-0200

  3. raissa says:

    Oww, adorei o seu post, vc falou sobre um aspecto muito importante e que nem sempre é levado em consideração quando um projeto é criado, e falou muito bem. E suas últimas palavras foram muito sábias, concordo absolutamente com vc. ;P

  4. Maria Alice says:

    Oi Fernando, tudo bom?
    Bom saber que você está projetando para cadeirantes, mas posso te dizer sinceramente? A NBR 9050 deixa a desejar, e muito. Bom, para início de conversa meu marido é cadeirante e já estivemos em mais de um hotel onde “a norma foi respeitada” e ele simplesmente não podia entrar no banheiro…

    A questão é que NENHUMA cadeira de rodas passa numa porta de 60 centímetros de vão (algumas não passam nem com 70 cm), e este é o tamanho “padrão” de portas de banheiro para nossos construtores. Em um hotel que fomos, existiam todas as barras de apoio possíveis no banheiro, mas ele não entrava no ambiente! Seria cômico se não fosse trágico…

    No mesmo banheiro, era impossível acessar o porta-toalhas, o armário (não sei para que servem se o que está acima de 150 não dá pra acessar), e se enxegar no espelho. Não dava para escovar os dentes comodamente pois havia uma bancada com pia (com armários embaixo, que igualmente não servem para nada para um viajante), nem mesmo sair da cama para outro ambiente, já que entre a cama e o armário (ou a parede da janela), mal dava para passar com a cadeira. Era um quarto “adaptado”, viu?

    Enfim, o recado é: não confie na norma. Nenhuma deficiência é igual a outra, existem deficientes e deficientes. Este tipo de projeto deve ser desenvolvido muito, mas muito mesmo “sob medida”.

    Um beijo!

  5. Juliana de Castro says:

    Oi, Fernando!

    Entrei aqui por acaso e adorei! Apesar de ser publicitária, adoro design e decoração de interiores. Gostei muito desse post sobre acessibilidade. Esse é um conhecimento fundamental para diferenciar os bons profissionais, hoje em dia. Fico feliz que tenha se interessado por esse assunto.

    É incrível como a cada vez mais as técnicas evoluem, os estilos se modernizam, mas pouco de fala da arquitetura voltada para os portadores de necessidades especiais.

    Sou deficiente física há 20 anos (tenho 30) e tive que aprender a me virar em shoppings, restaurantes etc, porque ainda hoje não é tão fácil encontrar lugares adaptados, seja com uma simples rampa de acesso ou um vaso sanitário mais elevado, com barras de apoio. E olha que nem sou cadeirante, só tenho algumas dificuldades de locomoção mas que já dificultam minha rotina de trabalho, diversão. Imagine então as dificuldades que os cadeirantes encontram?

    Espero que as coisas mudem para melhor e que apareçam mais profissionais interessados nesse público que consome tanto quanto os ditos “normais”.

    Ah.. e concordo com o comentário da Maria Alice. Adaptações acabam sendo muito específicas pra cada caso mesmo, mas o fato de existir essa norma 9050 da ABNT já é um bom começo. O negócio é aperfeiçoá-la a cada dia.

    Parabéns pelo site, pelo trabalho e iniciativa! :)

  6. felippe says:

    oláa, tava dando uma olhada no site e parabéns ta bem legal
    peguei umas idéias aqui pra minha casa nova.
    só gostaria de saber uma coisa, se possível, que programa você usa pra fazer esse layout 3D?

    brigado
    abraço!

  7. Carlos Bernardo says:

    ASSEPSIA / GRIPE SUINA

    Apresentamos um novo conceito de higiene : ” Mola Inteligente Transite ”
    É um equipamento que evita o contato das mãos em maçanetas de portas, proporcionando GRIPE SUINA, com tecnologia e modernidade. (Auxiliando na prevenção de doenças contagiosas)

    Atendendo à regulamentação sanitária da ANVISA e leis de acesso para deficientes físicos e do Idoso.

    Ideal para a instalação em :
    Bancos, Hoteis, Restaurantes, Hospitais, Universidades, Shoppings, Aeroportos, Condomínios, Lojas, Cozinhas, Banheiros, Salas de Alimentação, etc.

    Agende um horário para apresentação !

    Acesse nosso site http://www.molainteligente.com

    Carlos Bernardo
    12 – 3939 4102
    12 – 3933 0077
    12 – 9182 0589

  8. Adelino says:

    Gostei do blog.. sou arquiteto, tbm moro em maringá e tbm tenho um blog!

    Mundo pequeno nã?!

    Valeu!

  9. Simone says:

    Boa tarde,
    Simone Haj Mussi Chella de Oliveira, arquiteta especializada em Projetos de Interiores Residenciais e Comerciais com ênfase em Projetos Especiais de Adaptação de Ambientes.

    A necessidade de adaptar para aquele que já não tem mais a possibilidade de se adaptar foi tema do meu projeto final de pós graduação e descobri a importância dos ambientes onde vivem e convivem os portadores de alguma necessidade especial para a sua qualidade de vida, conforto, bem estar e segurança.
    Finalizei minha especialização na área de projetos de interiores residenciais e comerciais e estou direcionando o meu trabalho para a adaptação de arquitetura e projetos de interiores especializados em edificações e adaptações de espaços voltados para atender limitações de pessoas da terceira idade, deficientes físicos ou com mobilidade reduzida (temporária ou permanente).
    É oportuno observar que as residências dessas pessoas requerem uma infra-estrutura diferenciada do ponto de vista da adequação do espaço e iluminação para que todas as atividades sejam realizadas com conforto, segurança e satisfação.
    A reestruturação das residências reduz os esforços desnecessários, bem como acidentes domésticos, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida ao morador/usuário.
    Se quiserem conhecer um pouquinho do meu trabalho:
    http://adaptabysimonechella.blogspot.com/

  10. teka says:

    ola meu nome é angélica[teka]sou cadeirante qro muito fazer psicologia,tenho 24anos e vou correr atras do meu sonho

  11. Aracély says:

    Oi Fernando! Também sou designer de interiores e trabalho nesta área há 5 anos. Adorei o seu trabalho! Eu Também gosto de projetar pensando no bem estar das pessoas primeiro, depois na beleza. Parabéns e continue fazendo seu trabalho pensando que ele é o que de melhor você pode oferecer, assim, o resultado é sempre sensação de dever cumprido e a consequência, será sempre satisfação pessoal e financeira. E sem falar que o mercado de trabalho precisa urgente de pessoas mais profissionais e que gostem do que fazem, só assim nos destacamos e venceremos sem esforço neste mundo tão competitivo.
    Abraço, Aracély Magalhães(Minas Gerais)

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